DVD - Madrigais de Monteverdi

Nesta página você encontrará todas as letras das músicas do DVD do Cantus Firmus: MADRIGALI D’AMORE – Madrigais de Claudio Monteverdi (1567-1643)

 

 

 

 

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1 – TROPPO BEN PUÒ

Este tirano, o Amor, tem muito poder,

porque não há saída

para quem não pode suportá-lo.
Quando eu penso o quanto ele queima e perfura, eu digo:

“Ah, coração insensato, não espere por ele; o que  está fazendo?

Foge dele, para que ele nunca te pegue.”

Mas de alguma forma o sedutor me alcança,

nessa hora eu digo:

 

“Ah coração fraco, por que foge dele?”

Prenda-o, para que ele não fuja mais.

 

 

2 – ERA L’ANIMA MIA

 

A minha alma estava  perto de sua última hora

definhando como definha uma alma moribunda;
quando uma alma tão bonita e graciosa

lançou um olhar piedoso sobre mim,
que me manteve vivo.

Aqueles belos olhos pareciam dizer:
Ah! Por que você está morrendo?
Para mim, nem meu coração, nem minha respiração,

são tão queridos , quanto você, meu amor;
se você morrer, infelizmente, não é você quem morre, sou eu.

 

 

3 – A DIO FLORIDA BELLA

 

FLORO:

Adeus, bela Florida.

Na minha partida deixo contigo o meu coração ferido,

e levo comigo a tua lembrança

como um animal ferido leva na carne uma flecha.

 

FLORIDA:

Querido Floro, adeus.

Que o Amor console a amargura de nossa vidas tristes,

pois se o seu coração fica comigo,

o meu coração voará até você como um pássaro voa para o seu alimento.

 

PESCADOR:

Assim, ao longo do Tibre, no nascer do sol,

aqui e ali um som confuso se ouvia: suspiros, beijos e palavras.

 

FLORO:

Meu amor, fique em paz.

 

FLORIDA:

E você, meu amor, vá em paz, e seja o que o céu desejar.

 

 

4 -T’AMO  MIA VITA

 

“- Eu te amo, minha vida.”
minha querida vida me disse baixinho
e esta voz tão doce
se transforma para me dominar.

Oh voz de doçura e prazer!
Leve-a para longe, Amor;
imprime em meu coração.
Minha alma respira por si só:
” Eu te amo, minha vida. ” “Seja a minha vida”.

 

 

5 -PUR TI MIRO

 

Enquanto te olho,

Enquanto desfruto esse momento,

Enquanto  te abraço,

Enquanto estás junto a mim,

Já não sofro,

Já não morro,

oh minha vida, meu tesouro.

 

 

6 -LAMENTO D’ARIANNA

 

 

Deixe-me morrer,

Deixe-me morrer;
E o que você  acha que me confortaria
Em um destino tão cruel,
Em tal sofrimento?
Deixe-me morrer .

 

 

7 -LAMENTO DELLA NINFA

 

PESCADORES:

O sol ainda não tinha trazido o dia para o mundo,
quando uma donzela muito desesperada saiu de sua casa.
Em seu rosto pálido,  a dor  podia ser lida,
e de vez em quando  um suspiro vinha de seu coração.
Assim, pisando sobre flores, ela andava de lá para cá,
lamentando seus amores perdidos com estas palavras:

 

DONZELA:

Amor  – disse olhando para o céu – ,

onde está a promessa que me fez o traidor?

 

PESCADORES:

Pobrezinha. Ela não pode suportar toda essa frieza!

 

DONZELA:

Faça o meu amor voltar a ser como era
ou então me mate, então não sofrerei mais.

 

PESCADORES:

Pobrezinha. Ela não pode suportar toda essa frieza!

 

DONZELA:

Eu não quero que ele  suspire por mais tempo  se ele estiver longe de mim.
Não! Ele não vai me fazer sofrer mais, eu juro!

Ele está orgulhoso porque eu  definho por ele,

talvez se eu fugir ele virá rezar por mim.

Oh, Amor, ele não tem em seu coração a fidelidade pura que eu tenho.

Aqueles beijos tão doces … nunca mais.

Quieta! Quieta!

 

 

PESCADORES:

Assim,  lamentando-se, a voz levantou-se para o céu;

da mesma maneira, nos corações que amam, o amor mistura fogo e gelo.

 

 

 

 

8 -SI DOLCE È’L TORMENTO

 

Tão doce é o tormento que está no meu coração,
que eu vivo feliz por causa de sua beleza cruel.
Que a fúria da beleza
cresça no céu sem compaixão,
pois minha devoção se manterá
como uma rocha

contra a onda implacável do orgulho.

 

A falsa esperança me mantém vagando.

Nem deleite, nem paz,  chegam a mim;

A ingrata que adoro me nega o repouso que a compaixão me daria.

Na dor infinita,
nas esperanças traídas,
deve sobreviver a minha devoção.

 

Repouso não tenho no calor e no frio.

Somente no céu devo encontrar descanso.

Se um golpe mortal o coração me atingiu,

e mudou minha sorte,

com o dardo da morte meu coração vai curar.

 

Se o coração gelado que roubou o meu
nunca sentiu o ardor do amor;
se a beleza cruel que encantou minha alma nega-me a compaixão,
ela pode morrer um dia,
com dor,  arrependendida, definhando.

 

 

9 -OH! MIRTILLO

 

Oh Mirtillo, Mirtillo minha alma.
Se você pudesse vê-la dentro de seu coração,

aquela a quem você chama  de cruel Amaryllis .

 

Eu sei que você sentiria pena dela,

a pena que você queria que ela sentisse por você.
Oh, espíritos apaixonados, tão infelizes!

Que proveito há,  coração, em ser amado?

Que proveito há para mim em ter um amante tão querido?
Por que, destino cruel, você nos separa, se o amor nos une?
E você, amor traiçoeiro, por que nos une, quando o destino nos separa?

 

 

10 – ZEFIRO – mitologia
Phyllis = bela filha do rei Demofontes, de Atenas

Zéfiro, o vento Oeste, era irmão de Bóreas e habitava na Trácia. A lenda descreve-o como um vento primitivamente violento, que destruía tudo com o seu sopro indomável: arrasava plantações, provocava naufrágios, causava grandes danos aos homens mas uma grande paixão o fêz mudar.

A súbita paixão de Zéfiro por Clóris – chamada de Flora pelos romanos – transformaou o caráter mitológico do vento dando-lhe uma versão benéfica. Clóris era a rainha da primavera e era quem espalhava a beleza das flores ao mundo, dando-lhes as cores e o perfume. O contraste com Zéfiro, o vento que destruia a beleza das flores, fêz com que Cloris o rejeitasse.

Mas o amor de Zéfiro era sincero, pleno e construtivo. Para conquistar Clóris, ele transformou a sua personalidade tempestuosa e destrutiva, tornando-se um vento suave que soprava lentamente para não danificar a beleza criada por sua amada. Representado na forma de um jovem com asas que anunciava a primavera e o renascer das plantas, Zéfiro e Clóris tiveram um filho, Carpo – o fruto.

Disponível em:  http://eventosmitologiagrega.blogspot.com.br/2011/06/zefiro-o-vento-das-brisas-suaves.html

 

 

(música)ZEFIRO TORNA

 

Retorna Zéfiro, vento do Oeste, mensageiro da primavera,

e com tons doces encanta o ar e libera as ondas.

Murmurando entre as folhas verdes,
faz as  flores dançarem com seu som doce.

Com guirlandas de cabelo,

Phyllis e Cloris cantam canções de amor, ternas e alegres,
e através das montanhas e vales, as cavernas  ecoam  a  música .

Amanhece  lindamente,  e o sol derrama o mais brilhante  ouro,

embelezando o manto azul-celeste de Tétis com a mais pura prata.

Sozinho eu passeio por uma floresta solitária e deserta.

O ardor daqueles dois belos olhos,  meu tormento.

Como quer o meu destino, agora choro, agora canto.